Filosofia da Educação [Plano de Curso "A" de Pós-Graduação]

Eduardo O C Chaves



I. Objetivo Geral da Disciplina

O objetivo geral da disciplina é elucidar (mais do que responder) algumas questões básicas da Filosofia da Educação.

Na realidade, todo o curso será, na verdade, uma longa discussão do conceito de educação. Discutiremos as semelhanças e diferenças entre a educação e outros processos que podem lhe parecer afins, como, por exemplo, socialização, aculturação, doutrinação, lavagem cerebral, ou mesmo treinamento e adestramento. Analisaremos o papel do ensino e da aprendizagem na educação. Investigaremos a relação porventura existente entre a educação e grandes temas com ela relacionados (como, por exemplo, conhecimento, cultura e valores). E concluiremos com uma discussão do papel das instituições (em especial da escola e dos meios de comunicação) na educação.


II. Objetivos Específicos da Disciplina

1. Refletir sobre o lugar, a natureza e a tarefa da filosofia analítica dentro do quadro intelectual contemporâneo e a entender a natureza específica da reflexão filosófica dentro dessa escola filosófica.

2. Discutir a importância da lógica na metodologia filosófica e a necessidade de pensar com clareza e correção.

3. Discutir a importância da epistemologia na reflexão filosófica, a necessidade de distinguir entre conhecimento e crença /opinião / ideologia, e a importância dos conceitos de verdade e racionalidade.

4. Refletir sobre a relação existente entre educação, normas sociais e valores culturais, de modo que venha a ser capaz de distinguir entre educação, doutrinação, aculturação e socialização.

5. Refletir sobre a educação em seus aspectos formais e informais, discutindo quais seriam os objetivos educacionais que poderiam ser alcançados dentro da instituição escolar, qual é o impacto dos mecanismos informais de educação e qual deve ser o papel do Estado na educação.

6. Refletir sobre o papel do indivíduo no processo de sua própria educação, a investigar o impacto nesse processo do seu equipamento genético e de fatores ambientais, e a estudar a relação entre educação e sucesso sócio-econômico.

7. Refletir sobre o papel da tecnologia na educação, em especial dos meios de comunicação de massa e do computador.

8. Sistematizar, tanto quanto possível, o conceito de educação.


III. Programa

O programa a ser desenvolvido se relaciona aos objetivos específicos arrolados, estando, portanto, dividido em oito unidades.

1. Filosofia Analítica e Educação

2. A Educação e a Lógica

3. A Educação e a Epistemologia

4. A Educação e a Sociedade

5. A Educação, a Escola e o Estado: Conteúdos Curriculares, Professores e Ensino

6. A Educação e o Indivíduo

7. A Educação e a Tecnologia

8. O Conceito de Educação


IV. Calendário

Todo o programa será coberto em vinte semanas, que é, fundamentalmente, a duração prevista para o semestre letivo.

O tempo dedicado a cada unidade será, em regra, o seguinte:

Unidade I:         1 semana

Unidade II: 2 semanas

Unidade III: 2 semanas

Unidade IV: 3 semanas

Unidade V: 3 semanas

Unidade VI: 3 semanas

Unidade VII: 3 semanas

Unidade VIII: 3 semanas


V. Metodologia de Ensino

Todas as aulas serão expositivas e "discutitivas" (ou dialógicas). A filosofia apenas faz avanços na medida que opiniões e teorias são cuidadosamente analisadas e criticadas.

Para cada unidade haverá um conjunto de textos, que deverão ser lidos em casa, antes da aula. Parte de cada aula será usada para explicação da problemática encontrada nos textos, o restante sendo dedicado à sua discussão.

Dependendo do número de alunos, as unidades IV a VII serão objeto de seminários.


VI. Avaliação

O rendimento do aluno será avaliado através de:

a) sua participação nas discussões em sala de aula (valor 20% do total);

b) sua participação nas discussões eletrônicas, através de um grupo de discussão específico (valor 20% do total)

c) um seminário a ser apresentado sobre tópicos das Unidades IV a VII (valor 30% do total);

d) um trabalho individual escrito sobre um dos tópicos da Unidade VIII, a ser entregue no máximo até o último dia letivo do semestre junho (valor 30% do total).

O critério preponderante que será aplicado na avaliação é o da capacidade de argumentação dos alunos. Isto significa que os alunos serão avaliados não tanto em função de teses que proponham, de pontos de vista que apresentem, mas sim em função de como argumentam a favor dessas teses e de como justificam esses pontos de vista.

Argumentação e justificação envolvem aspectos lógicos (coerência, validade formal de raciocínio, etc), aspectos epistemológicos (apelo à evidência, por exemplo), bem como outros aspectos, como, por exemplo, clareza conceitual, que é inseparável de domínio eficiente da linguagem.

As normas da Universidade determinam que será reprovado por faltas o aluno que faltar a mais de 25% das aulas. Como teremos 20 aulas, o limite máximo de faltas é cinco aulas.


VII. Bibliografia

Os trabalhos a seguir, todos eles em português e constantes da Biblioteca da Faculdade de Educação, em muitos casos em várias cópias, deverão ser usados ao longo do semestre. Todos os trabalhos escritos pelo professor da disciplina estão disponíveis na Internet -- basta clicar em cima do nome do artigo.

Além dos livros aqui mencionados a Biblioteca da Faculdade de Educação sem dúvida possui uma coleção de livros bastante razoável. As demais bibliotecas da UNICAMP devem também ser visitadas porque possuem muito material de interesse, especialmente a do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e a do Centro de Lógica, Epistemologia, e História da Ciência (CLE). E a Internet possui, hoje, um dos maiores acervos de informação do mundo.

Como já se disse, não é obrigatório ler todos esses trabalhos nem ler tudo em cada um. Na verdade, não é obrigatório, no sentido estrito do termo, ler nenhum deles. Mas o aluno interessado em aprender filosofia da educação deve procurá-los, olhar seu conteúdo, e ler o que é relacionado aos assuntos que serão discutidos ou sobre os quais deverá fazer seu trabalho.

É desnecessário enfatizar que o aluno não deve se limitar a esses livros. Vamos refletir sobre o que é a educação e sobre o que se diz acerca da educação. Logo, qualquer livro sobre a educação pode ser de utilidade, mesmo que seja para ser criticado. Até os livros que os outros professores obrigam a ler.


TRABALHOS ESCRITOS PELO PROFESSOR:

01. Eduardo O. C. Chaves, Esboço de Filosofia da Educação Analítica, texto em elaboração, apenas para discussão pelos alunos. [Este não é um texto pronto para publicação: só é colocado aqui para discussão pelos alunos porque cobre a maior parte dos tópicos que serão discutidos em classe].

02. Eduardo O. C. Chaves, "A Filosofia como Análise Lógica da Linguagem", trabalho preparado para uso pelos alunos da disciplina Metodologia Filosófica em 1990. É uma sucinta caracterização da Filosofia Analítica.

03. Eduardo O. C. Chaves, "A Filosofia da Educação e a Análise de Conceitos Educacionais", em Introdução Teórica e Prática às Ciências da Educação, org. por Antonio Muniz de Rezende (Editora Vozes, Petrópolis, 1977), disponível neste Web Site em versão revista e ampliada ou na versão original. Este é um texto antigo, revisado, que acabou, em parte sendo integrado no primeiro texto aqui listado, que busca mostrar como a Filosofia Analítica pode ser aplicada à educação.

04. Eduardo O. C. Chaves, "Ayn Rand's Introduction to Objectivist Epistemology: Chapter 3 Abstraction from Abstractions", trabalho sobre epistemologia publicado em formato eletrônico na coleção de comentários sobre o livro mencionado no título em The Ayn Rand Discussion List, coordenada por Jimbo Wales ("ayn-rand@iubvm.bitnet"), 1992. [Em Inglês].

05. Eduardo O. C. Chaves, "O JMC nos Deu Educação", artigo publicado no Boletim da Associação Alumni/Alumnae do "Instituto José Manuel da Conceição", Novembro 1997. [O Instituto José Manuel da Conceição foi a escola em que o autor fez o seu Curso Clássico, como aluno interno, de 1961 a 1963. Ela ficava em Jandira, SP. Fundada em 1928, ela foi fechada ao final de 1969].

06. Eduardo O. C. Chaves, "Justiça Social, Igualitarismo e Inveja: A Propósito do Livro de Gonzalo Fernández de la Mora", Pro-Posições, Número 4, Março 1991, Campinas, SP. Texto mais de filosofia política e de psicologia social do que de filosofia da educação. Faz, entretanto, sérias críticas à Universidade, especialmente na versão revista e ampliada.

07. Eduardo O. C. Chaves, "A Universidade e 'o Suicídio das Elites", artigo escrito (mas não publicado), em função a uma reportagem da revista Veja, Maio 1991. Crítica a uma crítica das Universidades brasileiras, que, entretanto, não é uma defesa delas.

08. Eduardo O. C. Chaves, "Pedagogia Histórico-Crítica: É Preciso Aproximar Mais", artigo escrito (mas não publicado) como resenha de um livro de Dermeval Saviani, para discussão com alunos de Pedagogia, 1991. [Dermeval Saviani também é Professor do Departamento de Filosofia e História da Educação da UNICAMP].

09. Eduardo O. C. Chaves, "Um Parecer sobre a Proposta de 'Auto-Avaliação das Unidades'", parecer escrito para o Departamento de Filosofia e História da Educação da UNICAMP, 1991. Discussão da questão da avaliação.

10. Eduardo O. C. Chaves, "O Paradoxo da Transformação da Sociedade pela Educação -- A Propósito do Trabalho de Leonardo Waks", trabalho apresentado na conferência O Desafio da Educação do Século XXI, patrocinada pelo Ministério da Educação e Cultura, Brasília, DF, 1990.

11. Eduardo O. C. Chaves, "Computadores, Educação e LOGO", trabalho escrito para discussão pelos alunos de uma disciplina eletiva sobre Informática na Educação, Janeiro 1992. [LOGO é uma linguagem de programação feita por um educador, Seymour Papert, para outros educadores e para quem quer aprender com o computador].

12. Eduardo O. C. Chaves, "People LOGO: Uma Introdução", Introdução ao Manual de People LOGO, Versão 3.2, Campinas, SP, 1992, 1996.

13. Eduardo O. C. Chaves, "The Impact of Computing on Culture and Education: One Brazilian's Point of View", Educational Technology, 1993 [Em Inglês].

14. Eduardo O. C. Chaves, "Desemprego, Informática, Sorte e Azar", artigo publicado em cerca de dez jornais brasileiros durante 1996.


TRABALHOS DE OUTROS AUTORES

01. David W. Carraher, Senso Crítico: Do Dia-a-Dia às Ciências Humanas (Livraria Pioneira Editora, 2ª Edição, 1993)

02. Matthew Lipman, A Filosofia Vai à Escola (Sumus Editorial, São Paulo, 1990)

03. P. H. Hirst e R. S. Peters, A Lógica da Educação (Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1972)

04. I. A. Snook, Doutrinação e Educação (Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1974)

05. Israel Scheffler, A Linguagem da Educação (Editora da USP e Saraiva Editores, São Paulo, 1974)

06. Ivan Ilich, Sociedade sem Escolas (Editora Vozes, Petrópolis, 1977)

07. Olivier Reboul, A Doutrinação (Editora da USP e Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1980)

08. Olivier Reboul, O Slogan (Editora Cultrix, São Paulo, s/d)

09. Olivier Reboul, Filosofia da Educação (Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1974)

10. D. J. O'Connor, Introdução à Filosofia da Educação (Editora Atlas, São Paulo, 1978)

11. Howard Ozmon, Filosofia da Educação: Um Diálogo (Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1975)

12. Reginald D. Archambault, Educação e Análise Filosófica (Edição Saraiva, São Paulo, 1979)

13. George F. Kneller, Introdução à Filosofia da Educação (Zahar Editores, Rio de janeiro, 1972)

14. Cipriano Carlos Luchesi, Filosofia da Educação (Cortez Editora, São Paulo, 1990)

15. Michael Apple, Ideologia e Currículo (Brasiliense, São Paulo, 1982)

16. Lucien Brunelle, A Não-Diretividade (Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1978)

17. M. V. C. Jeffreys, A Educação: sua Natureza e seu Propósito (Editora da USP e Editora Cultrix, São Paulo, 1975).

18. Émile Durkheim, Educação e Sociologia (Edições Melhoramentos, São Paulo, s/d)

19. Everett Reimer, A Escola Está Morta (Livraria Francisco Alves Editora, Rio de Janeiro, 1975)

20. Lucien Morin, Os Charlatães da Nova Pedagogia (Publicações Europa-América, Mem Martins [Portugal], 1976)

21. Ivan Illich et alii, A Escola e a Repressão de Nossos Filhos (Publicações Europa-América, Mem Martins [Portugal], 1976)


SITES NA INTERNET DE INTERESSE DE FILÓSOFOS

01. Tulane University (um dos dois melhores) [Em Inglês]

02. Liverpool University (o outro dos dois melhores) [Em Inglês]

03. The Asphalt Philosopher (Roland H. Johnson, III) [Em Inglês]

04. A Window to Philosophy (Sandro Reis) [Tem versão em Português]


SITES NA INTERNET DE INTERESSE DE FILÓSOFOS DA EDUCAÇÃO

01. Paideia: Filosofia e Educação [Em Português] - Editor: Eduardo O C Chaves

02. EduTecNet: Rede de Tecnologia na Educação [Em Português] - Editor: Eduardo O C Chaves

03. Filosofia & Filosofia da Educação [Português e Inglês] - Editor: Paulo Ghirardelli Júnior

04. Enciclopédia de Filosofia da Educação [Português e Inglês] - Editor: Paulo Ghirardelli Júnior


© Copyright by Eduardo Chaves


Last revised: May 02, 2004